quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Máscara sorridente

A moça bonita passou , novamente , a mão tímida pintada a vermelho no vestido de cetim . Observava com a destreza feminina, o preto no branco de sua fantasia colombina . Estava pronta para ir . Com o sol , já via a praça principal enchendo-se de gente de todo o tipo . E ela , assistia pela janela , apreensiva .
O rapaz acordou, balançado pelo colega de barraca . O sol já nascera , e uma hora dessas , o lado de fora da praça devia vibrar, cheio de expectativa . Vestiu-se depressa, lavou mal o rosto e a boca , e pôs-se a ajeitar-se . A fantasia branca e preta lhe caía bem . O único problema , era o cheiro forte de cerveja , que o pano adquirira no dia anterior . Logo , todo o ar estaria impregnado com aquele mesmo cheiro, e isso deixaria de ser um problema .
Saíram. E , arrastados por seu burburinho particular , foram subindo as ruas , sorrindo , cantando . Marchinhas de carnaval , contando historinhas, pedindo o dinheiro alheio ... Pouco importaria a letra . Era carnaval .
E foi bem ali . Vês ? Nos pés do maior morro , que se avistaram . Ela riu , como teria rido para qualquer um . A máscara lhe tampara a timidez . Naquele instante , seria capaz de sorrir para o próprio diabo.
Ele não . De cara pintada , era como sempre fora : ávido , jeitoso com as palavras . Era a primeira vez que perdia a fala em dois dias . Quiçá , era a primeira vez , desde que aprendera a falar . Só sabia sorrir .
Eram quatro passos . Com dois , ele estaria frente a frente da menina de batom . Os dois ali , parados , sorrindo ; e o mundo , passando ...
Ninguém , naquela correria , viria aquele Pierrot . Ninguém além dela mesma , saberia o que se passavam naqueles olhos mudos , naquele momento . Ninguém nesse mundo , merecia saber .
Ela nem sabia o por que . Não conseguia imaginar por que raios de motivos haveria de ter paradologo ali , a olhar para aqueles olhos ... Até que viu . Quando viu , entendeu . Qualquer um entenderia .
Teve vontade de tirar-lhe a máscara . Não sabia ele , da impossibilidade de um sorriso desmascarado . Nem tinha como saber . Não avançara os quatro passos .
Ela ? Ela teve vontade de ficar ali mesmo , sem avançar , nem retroceder . Queria era olhar . Queria era ver , só um pouco mais .
Um esbarrar . Foi só isso . O rapaz se virou para ver quem era , mas não era ninguém . Voltou os olhos : Sumira . Como uma aparição , entrara no meio do povo , fugida de outro encontro de olhos .
Passou-se .
Outro carnaval , e lá estava ele , e lá estava ela . A máscara gasta pelo tempo , ainda estava lá . Eles ainda sorriam . Sabiam que esperavam por isso . E eram só quatro passos ...
Quis tirar-lhe a máscara . Ainda não sabia , que a máscara e o sorriso , eram um só . E não soube , nos muitos carnavais que se sucederam . Estiveram ali , mas ele nunca soube .
Nunca avançou os quatro passos .

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Louge .

...

E tem feito tanto vazio
A medida do arrepio
De sentir a porta bater;

E o copo de rum que esquentava
No sobrado da sala
Agora congela a imagem .

Vês ?

...

[Poema antigo, com/para Nick . *.*]
Perde-mo-nos nas pedras deslocadas
Deste caminho intruso
Pequenos demais para virar estrelas
Grandes demais para deixar de brilhar .
O que , afinal de contas
Estamos fazendo em caminhos diferentes ?

Asas aposentadas

Prendê-mo-nos ao chão
Agarramo-nos ao triste
Fugimos do agora
Tentando ser reais

E conosco flutua
Areia que nos prende
Lamentamos, por instantes
Distantes demais

Voltamos a prender
Nossas asas na terra
Essa terra maldita
Que nos rouba a coragem

E nos tornamos prisioneiros
Dos sonhos que eram nossos
Viramos objetos
Escravos da miragem

Não cabe em nossas mentes
Nem em nossos corações
Que asas aposentadas
Ainda conseguem voar

Somos almas preciosas
Energia graciosa
Somos gente, somos tudo
Fomos feitos pra voar .

[Antiga também . Não tão bom , porém , feliz ... *-*]

Despedida

Desculpe
Minhas decepções
nada têm haver com você.
Desculpe
Meus defeitos,
Não são culpa sua .

Não pretendo
Estender essa carga
Que me faz um idiota
Perante essa
(des)humanidade.

Pretendo é agir .
Assim , como quem não quer
E traz mundos no olhar
Além de um pouco de si mesmo .

Que talvez ,
Não seja tudo
Mas é o que tenho .
Pro mundo ,
Pra mim .

Talvez seja pouco
Não sirva .
Ou demais ,
Para um mundo como o nosso,
Para alguém como você .


[Poema antiguíssimo , inofertado . =D]

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Caminhantes

A gente pode esquecer tudo
Pode sim, vem comigo .
Esquecer o que passou
E simplesmente ,
Caminhar .

Poderemos por aí
Brincar com pistas molhadas
Estampar sorrisos
Rir da própria vida
Caminhar .

Eu posso cantar
Pra espantar seus medos
E quando os medos forem meus
Você me abraça .
E a gente caminha .

Futuro em frente
Mais vento
Mais vida .
Vivamos !

Daqui a pouco, tudo vai mudar
Talvez sejamos outros caminhantes.
Por enquanto,
Vamos correr
"E pintar na tela da vida, a arte de continuar ..."

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Leite derramado .



Se eu tivesse forças, gritaria, fugiria, choraria . Melhor, se me faltassem forças, talvez eu ousasse me esconder na cúpula .
Mas não . Eu já estou aqui . Eu já me pus à prova. Aceitei o desafio.
O que isso significa ?
Significa que amanhã, eu vou acordar, colocar a melhor roupa que me couber, e sair pra comer qualquer coisa na padaria da esquina . Significa, que talvez eu compre o jornal, leia as tirinhas da Mafalda e ria feito uma boba . Mais tarde, vou me sentar à essa cadeira, e escrever qualquer coisa, para me distrair . Depois, posso ligar a tevê, rir da propaganda eleitoral, fazer um brigadeiro de novela .
Tudo isso parece bom .
Eu poderia contar estrelas, ou histórias ... Quem sabe, levar o cão pra passear . Gostaria de comprar algumas peras ... Testar a receita do pote de margarina . De repente eu faço um check-up. Ou simplesmente, termino aquele livro que eu nunca desmarquei .
Queria mesmo era ficar por aqui . Dar murro na ponta da faca até cegar a lâmina . Mas eu tenho mais vida pra viver . E é isso aí .
Eu nunca fui de obedecer as regras do jogo , mas é pra frente que se anda .

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Minha inspiração não dá em ramos .
Infelizmente .


Queria poder escrever qualquer coisa,a qualquer momento .
Mas não é assim .
Eu sinto .
Cada palavra que escrevo . E talvez por isso mesmo, não escreva muita coisa .
Os nossos sentimentos
Não são como pétalas
Que dançam conforme o vento .
São sentimentos, ora !
Eles nunca estão no ritmo certo, e isso nos faz bambear . Nos faz sermos nós, imprevisíveis, sempre imprevisíveis.
Hoje não é um dia de muita inspiração para mim .
Amanhã, talvez, talvez .
E é isso que faz um dia após o outro ser tão mágico ...

Minha inspiração não dá em ramos.
Felizmente.