sexta-feira, 30 de abril de 2010

Atriz

Propôs a si mesma
A hipótese mais simples.

Deixou de lado.

Cansou-se da excelência
Melhor, cansou-se de tentar.

Recolheu seus sapatos gastos.

Cansou de esperar elogios
De tentar se superar

Cansou de ser quem não era.

É dela todo o tempo do mundo
E a pouquíssima vontade
De teatrar com mundanos.

domingo, 4 de abril de 2010

Ponteiros

Aqui o relógio anda pra trás
Os versos que escrevi 
Já eram repetir demais
As grandes coisas 
Que eu não pude ver 
E eram reais
Nunca entendi o porquê ...

Aqui os relógios são reais
Os versos que escrevi 
Já eram ter que andar pra trás
As grandes coisas 
Que eu não pude ver
E eram demais
Não me fale de porquês ...

Aqui os relógios são demais
Os versos que escrevi 
Não eram grandes, nem reais
Já eram coisas 
Que eu não quis ver 
Nem fui capaz
Eu me esqueci dos porquês ...

sábado, 3 de abril de 2010

Velhos lençóis


Se, o tom das vozes ousam me ferir
E às onze horas eu te vi partir
Então me conta como hei de ser eu

Se a porta do quarto ainda está a abrir
E o som dos passos a me perseguir
Então me mostra onde eu fico só

É, quem dera ouvir de novo a tua voz
E me poupar de sujar os lençóis
Com as velhas gotas que eu já derramei ...

Se você me protegeu da solidão
Moldou minha'lma com a própria mão
Me mostra agora pronde eu vou fugir

Calço meus sapatos como já calcei
E falo as frases que nunca falei
Botando a nova alma a caminhar

É, quem dera ouvir de novo a tua voz
E me poupar de sujar os lençóis
Com as velhas gotas que eu já derramei ...

Justo quando eu chorava tu fostes sorrir
E à minha alma quisestes despir
Do puro sentimento que guardei

Ao fugir da aurora tu me destes mel
E às onze horas entregou-se ao céu
Rezando o credo que eu nunca cri

É, quem dera ouvir de novo a tua voz
E me poupar de sujar os lençóis
Com as velhas gotas que eu já derramei ...